• Thai Santos

Um conto e um enredo

Atualizado: Mai 31

Reflexões de: Por trás dos seus olhos. - All I See Is You.

Era uma vez, uma mulher cega.

Era casada com alguém que nunca viu com seus olhos físicos, mas achava que o enxergava. E ele que a via, achava que não era preciso enxergar mais além. Tudo que sabia era tudo que ela era, e ele estava satisfeito assim.

Por não conseguir enxergar a realidade, ela precisava de ajuda para tudo. E ele a ajudava. Ela dependia dele, e ambos gostavam disso.

Pois enquanto ela dependesse dele, ele seria útil e indispensável. E ela não teria que ter muito trabalho quanto à decisões de sua própria vida.

Os dois estavam cômodos e apegados à aquela realidade.


Ela sempre teve a esperança de voltar a enxergar, voltar a ver a realidade. E essa vontade só crescia cada vez mais. Como ele a queria feliz, aparentemente, apoiava a ideia e a levava para onde ela quisesse, inclusive ao oftalmologista.

Ela decidiu que faria de tudo para alcançar seu objetivo, e fez uma cirurgia.

Após a cirurgia, ela precisaria de cuidados, utilizar colírios, e se adaptar ao que nunca enxergara antes.

Sua visão começou a voltar. E ela estava cada dia mais radiante, como se tivesse conhecendo tudo pela primeira vez. Havia um novo mundo para ela, portas se abriram e oportunidades apareceram.

Como não conseguia ver antes, ela não sabia como era seu esposo, nem a casa em que morava, e muito menos como ela era, fisicamente.

Começou a explorar sua nova realidade, mesmo que estranhasse. Ela amava a liberdade de enxergar e ver tudo como realmente era.

Ela se empoderou, começou a perceber que já não gostava mais daquelas roupas em seu Closet, já não queria permanecer com o mesmo corte de cabelo, já não queria ter seu marido grudado à ela 24 horas por dia, porque agora ela podia tudo, ela podia se virar sozinha, ela se tornou uma mulher livre, ela queria abraçar o novo e sair do confortável, onde era cômodo viver antes de recuperar sua visão, era tudo que ela conhecia. Talvez achasse que só existia aquela forma de viver sua vida, e agora descobriu que tinha se equivocado.

Seu marido já não a reconhecia mais, não gostava de ver quem ela "estava se tornando" e não escondia isso. Ele gostava que ela fosse dependente dele, e agora vendo como ela se tornara uma mulher livre, independente e destemida, ele percebeu que podia perdê-la.

A relação dos dois já não era a mesma, ambos perceberam isso. O marido começou a sabotar a recuperação da visão dela, trocando seus colírios.

Aos poucos, ela começou a perder a visão novamente e se frustrar. E com isso, voltava aos braços dele, chorando, desesperada pelo que estava acontecendo. Ela não queria perder tudo que conquistou e conheceu, ela não queria depender dos outros novamente, ela queria ver cores, ver e enxergar a todos, ela queria ser vista e observar como os outros observavam ela.

Aos poucos, começou a perceber que o marido mentia para ela, enquanto ela era cega, porque sabia que ela não podia ver e confiaria nele e em qualquer coisa que ele dissesse. Ou seja, ela achava que conhecia tudo perfeitamente antes, e que a realidade dela de antes era perfeita como era, mas não era. E ela não conhecia nada.

Portanto, decidiu procurar seu médico, em segredo, e levou seus colírios para ver se tinha algo errado com eles.

Descobriu que eles haviam sido adulterados, e nada falou. Só começou a utilizar novos, e a voltar a ver, sem que o marido soubesse. Com ele achando que ela estava cega novamente, ele era um homem seguro de si, que não tinha medo de voltar a mentir.

E ela só observava e pensava: Até onde vai uma obsessão? Até onde o ser humano vai para manter algo que conhece ou alguém dependente dele para se sentir útil? Isso seria amor?


Não passou muito tempo, ele descobriu que ela, não somente via, como também o enxergava completamente. Nenhum dos dois se conheciam, enquanto ela não via.

Pois, repito: ele sempre a viu, mas nunca a enxergou. E ela achava que sempre o enxergou, mas nunca o viu. E esse choque, lhes levou a enxergarem um a outro finalmente, e perceberem que nunca se conheceram, e muito menos se amaram. Viviam uma ilusão, que estava boa enquanto não se mexia nenhum detalhe.


Ele não a amava. Porque se ele a amasse, a deixaria livre para ser feliz, enxergando e vendo o que quisesse.

E se ela o amasse, não se sentiria desconectada a partir do momento em que já podia ser feliz sozinha. Isso não era egoísmo, era amor próprio.

Em um relacionamento saudável, há duas pessoas livres, que se vêem e se enxergam, que são felizes sozinhas, e capazes de complementar a felicidade do outro em uma união.


É isso que a espiritualidade revela. E é por isso, que muitos ciclos se encerram, quando alguém que faz parte de um relacionamento, desperta.

Não deixe que sabotem seus colírios:

Seja por você enxergar o que ninguém enxerga. Seja por você se empoderar após conhecer a verdadeira realidade, ao enxergar com outras lentes. Seja por você se permitir ao novo e ressignificar tudo que já pensou ser real um dia.

Você pode despertar há qualquer momento, e tem todo direito de mudar. E não merece quem não esteja disposto à enxergá-la(o), ao seu lado.

Seja livre. Seja feliz, Desperte, sem medo de que algo fique pra trás.

O que tem que permanecer, permanece. O que tem que ir, simplesmente vai.


Thainá Santos.

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